Carga Leve: André Peito de Pombo

Antes de começar o texto, acho justo explicar a ideia do Carga Leve.

Carga leve é aquele pesinho que a gente coloca em uma fase de recuperação do treino. Ou no primeiro exercício daquele grupo muscular. A gente faz fácil, sem esforço. E assim serão (ou devem ser, espero) os textos desta coluna, que será publicada às segundas-feiras: leves e divertidos. Pra ler sem esforço.

A ideia é trazer semanalmente uma crônica baseada em experiências pessoais de pessoas fantásticas: vocês 😀 Todo mundo já passou por situações bizarras em academias, corridas, restaurantes, treinos, etc.

Peço que você compartilhe comigo esse fato chocante através do e-mail fernandadvp@gmail.com. Obviamente os nomes serão ocultos (os seus e/ou os dos terceiros relatados). Eu vou ler a história, entender e contar do jeitinho ‘Carga leve’. Estilo crônica, sabe? Às vezes posso aumentar e enfeitar. Posso incluir frases e detalhes que não necessariamente fizeram parte do contexto. Mas mentir, jamais!

Nesta semana inicial, vamos inaugurar com uma história minha, então. A ideia é eu nunca mais postar uma história minha, hahaha, então mandem suas experiências \o/

Com vocês: “André Peito de Pombo”

Que toda academia tem homem sem noção a ponto de parar o treino para ficar olhando descaradamente pra mulherada não é novidade. Porém, há um certo tempo – para ser mais exata em meados de 2009 – essa “olhadinha” (para não dizer olhar sensual desconcertante e bizarro) foi um pouco além.

E aewww gatinha!!! Quer uma ajuda nesses pesos aewww rsrsrs

O cidadão já tinha dado a “olhadinha” umas quatro vezes em apenas 15 minutos de treino. E ele tentava, inutilmente, esboçar uma cara de paisagem sempre que era pego no flagra.

Acho que neste ponto é necessário descrevê-lo para as amigas. Trata-se daquele típico cara dos braços musculosos que não treina pernas… mas esse vinha com um upgrade: era sem pescoço e tinha o famoso “peito de pombo”. Para quem não sabe, trata-se daquele peitoral avantajado que chega antes dele em todo lugar. Pois bem.

A moda me entende…

Estava eu na parte mais escondidinha da academia fazendo um treino puxado de glúteos com caneleira. Exato, é esta cena que você imaginou: eu de quatro, com a bunda para cima, rosto vermelho de tanto fazer força e o suor escorrendo no colchonete.

Uma beleza! Foi quando apareceu o Ronald McDonald oferecendo um BigMac. Não… claro que não… isso seria muito óbvio!

Ao contrário do que você pensou, quem surge na minha frente é ele: o cara sem poscoço do peito de pombo. E eu estava no número 3 de uma série de 15 repetições. Da ÚLTIMA série, amigas.

Tira uma foto minha nessa posição… só que não…

Ele falou sozinho durante as 15 empinadas de bunda daquele exercício, mas em meus pensamentos o diálogo rolou. E rolou assim:

“3…4…5… Mas o que deabos esse cara quer?”

– Oi… tudo bem? Meu nome é André*…

“6…7…8… ok, oi André, agora cai fora”

– …e quero te dizer que te acho muito massa, uma menina que gosta de se cuidar, né?

“9…10…11… naaaaada po! Impressão sua 😀 to aqui só matando tempo”

– E quero saber se a gente pode se conhecer melhor”

“12…13…14…15”

Neste momento eu parei, enxuguei o suor da testa com a toalhinha e pela primeira vez na “conversa” olhei bem nos olhos de André, que aguardava minha resposta como uma mãe espera pelo filho em pleno trabalho de parto.

– Não.

Não tive tempo de ver a cara que o André fez. Assim que respondi, fixei o olhar em uma formiga que passeava tranquila ao lado do meu colchonete. Quando finalmente concluí a série, o André já estava concentrado em seu exercício.

Até hoje eu e André treinamos na mesma academia. Até hoje André não fala direito comigo. E até hoje não sei com que cara olho pra ele.

* O nome real foi omitido para preservar a identidade do envolvido.

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